Povoação mais que milenária, o topónimo Irijó é de origem goda. Segundo a tradição, aqui
nasceu o XVIII Bispo do Porto D. Pedro Rabaldes, amigo íntimo de D. Afonso Henriques. De
Sanfins era natural o ilustre fidalgo D. Fernão Rodrigues Pacheco, que foi alcaide-mor do
Castelo de Celorico da Beira e se negou a entregar as chaves do seu Castelo a D. Afonso III
sem antes se certificar da morte de D. Sancho II, a quem havia jurado incondicional
fidelidade.
Já nos meados do séc. XI havia nesta freguesia um mosteiro, em ligação com o de Vacariça.
Efectivamente, alguns anos antes de 1002 - é o que parece deduzir-se de um documento da época
- o presbítero Gudesteu e os diáconos Sandino e Guandino (os dois primeiros são os mesmos a
que D. Soeiro Gondesindes e sua mulher D. Goldrogodo confiaram o mosteiro de Sever) fundaram
um mosteiro em Rocas, de invocação a S. Salvador. «Fundamentavimus cum nostro germano
gudesteo presbitero... subtus monte zebrario in villa quam vocitant rocas monasterio».
Em 2 de Dezembro de 1002, os mesmos diáconos fazem doação deste ao mosteiro da Vacariça.
Esta doação é feita segundo as regras beneditinas, ao memória ao falecido irmão - Gudesteu, e,
enquanto perseverassem na vida santa, seriam considerados frades da Vacariça, bem como os,
que de futuro, seguissem a mesma vida.
O documento é feito ao abade Andérias do mosteiro da Vacariça, na presença de Froila
Gonçalves (e por isto se vê a subordinação ao poder sarraceno instituído e que ele representava),
doação que no entanto, só o abade Benjamim do mosteiro do Lorvão confirmou.
Em 4 de Fevereiro de 1034 e perante o abade Tudeíldo, os presbíteros Froila e Vermudo fizeram
um prazo de habitação do mosteiro de Rocas, que foi confirmado por Sandino Gonçalves, provavelmente
filho de D. Gonçalo Viegas e de D. Châmoa Onorigues, continuadores da estirpe de D. Soeiro
Gondesindes.
O documento diz o seguinte:
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«Prazo de habitação do mosteiro de Rocas»
O presbítero Froila e o presbítero Vermudus fazemos a vós abade Tudeildo e aos vossos frades emprazamento
por escritura de confirmação no quarto dia dos idos de Fevereiro, na Era LXXªIIª além da milésima
(1072-38 = 1034). Fazemos-vos tal escritura para que habitemos, além da vossa parte, no mosteiro de Rocas
e vos declaremos a verdade absoluta e não vos causemos aí quaisquer males nem de coisas estranhas, mas
permaneçamos com verdade na vossa fraternidade na vossa parte e dos frades da Vacariça; e se não cumprirmos
à risca o que está espresso nesta escritura, assim pagaremos da parte que é vossa C (cem) soldos e a casa
permaneça intacta no vosso direito, casa e mosteiro qunato recebemos das vossas mãos. Presbítero Froila,
presbítero Vermudus confirmamos com as nossas mãos nesta escritura com o sinal ++. E eu, abade Tudeildo e
os meus frades, se vos tirarmos este mosteiro de vosso direito, em vida, sem terdes culpa que a assembleia
confirme, que paguemos por essa vossa parte outros C (cem) soldos. Abade Tudeildo e meus frades confirmo com
as minhas mãos com o sinal ++. Frade Mauran. Frade Fromarigus. Presbítero Ansemondus. Presbítero Randulfus.
Sandinus Gundisaluiz. Toderedo Eitaz. Tomamos conhecimento no dia de São João e cumpramos a escritura. O
presbítero Froila e o presbítero Veremudus.»
O mosteiro de Rocas extingui-se no final do século XI. Parece que foram herdeiros dos bens que lher pertenceram
os descendentes dos três eclesiásticos que o erigiram, na segunda metade do século X, em data não determinada.
A actual Igreja Paroquial revela grande antiguidade, possuindo uma magnífica cruz
processional, de prata, do séc. XVII. Foi curato anexo e da apresentação da freguesia de
Stª Maria de Sever.
Bibliografia: Sever do Vouga - Uma Viagem no Tempo, Fernando Soares Ramos, 1998; Diccionário Geográfico; Corog. Port.; Portugal Antigo e Moderno; Albino Costa,
Cedrim [...], Cx., 1915; Dicc. Chorog.; Herculano, História de Portugal, III, ppp.348-352.
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