Há cinco - seis mil anos, tribos de pastores construíram a necrópole da Cerqueira, da qual
se distingue a anta ou dólmen de corredor, o mais belo e completo monumento megalítico do
distrito de Aveiro.
Em 1128, D. Teresa e D. Afonso Henriques, conjuntamente, assinaram o foral que tornou Couto
de Esteves vila e sede de concelho, tornando-o couto do mosteiro de Lorvão e concedendo-lhe grande quantidade de privilégios.
O concelho foi extinto em 1836. Resta ainda o vetusto pelourinho e o
velho edifício que foi a Câmara. Antiquíssima é também a sua Igreja Matriz.
Nos sécs. XVI-XVII foi erigido o solar da Casa da Fonte, no Couto de Baixo - lamentavelmente
em degradação - que foi residência da ilustre família Sequeira e Quadros.
Além de elementos arqueológicos(restos de fortificações castrejas) que caracterizam o remoto
povoamento local, são dignos de nota os seguintes topónimos: Cativos(documentado já nos
começos do séc. XII); Lijó(antigo Elijoo - do arcaico = Lajôoa) e por último, o próprio
Couto de Esteves, que contêm em si a existência de um couto que se crê significar não
propriamente o território privilegiado Couto, mas padrões limitantes.
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- além do elemento
antroponímico Esteves[Estevão? (Estêvai ou Stevai, nas Inquisições de 1258)]. Fez parte da
grande Paróquia Medieval de S. Miguel de Ribeira(actualmente repartida em várias, estando o
título ou representação em Ribeiradio), que era de fidalgos desde os fins do séc. IX, começo
do X, passando posteriormente para a posse do Mosteiro de Lorvão.
O seu carácter de couto está bem patente nas Inquisições de 1258: «De Stevai,
parrochia sancti Michaelis de Ribeyra... villas Sapeiros, S. Fins, Elijoo, Cerqueira e
Cativos, jazem entre o Termo de Sever, Cambra e Alafões, e são de cavaleiros fidalgos e...
não fazem a el-rei foro nem em coima, nem outras cousas, porque todo he couto per padrões...
e aquelas villas não são de outros termos senão do seu, pois que têm termo sobre si».
A independência assim afirmada parece não ter semelhante no País, porque até os comissários
régios de 1258 se mostraram surpreendidos com o que chamam «tanta e tam grande
jurisdição».
Bibliografia: Dicc. Geogr.; Corog. Port.; Portugal Antigo e Moderno; Guia de Portugal III;
Districto Administrativo de Aveiro... [contêm os mapas comparativos dos concelhos(1853)]
de... Couto de Esteves, s/d. n/1; Tomás Lino de Assumpção, As Freiras de Lorvão; Ensaio de
Monografia Monástica, C., 1899; A. Mendes Simões de Castro, o Mosteiro de Lorvão, C., 1926.
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