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 Cedrim do Vouga: Um pouco da sua história...
Antigamente "Cetarini", é povoação referida em documentos reportados ao ano 1000.
A antiga freguesia era curato anual da apresentação do vigário de S. Miguel de Ribeiradio, no Couto de Esteves e antigo concelho de Sever. Extinto este, em 21.11.1895, foi Cedrim incorporada no de Albergaria-a-Velha até 13.01.1898, data em que foi restaurado o concelho de Sever do Vouga.

No morro do Castêlo parece poder ver-se vestígios de uma fortificação pré-romana. E, anteriores de alguns milénios junto a S.to Adrião, existem vestígios bem visíveis de uma anta ou dólmen de corredor.

Aqui existia, em 1017, um mosteiro beneditino, doado em 1050 ao de Pedroso(concelho de Vila Nova de Gaia) por D. Gonçalo Mendes, filho dos condes D. Mendo e D. Flâmula casada com D. Gonçalo Viegas, entre os muitos haveres referidos, cita-se «...et de monasterio de cedarim mediate integra...» e ainda «...Zedarim que fuit de avolengo... » (expressão que atesta a sua alta antiguidade). Estes bens faziam parte de herança que ali foram inventariados, juntamente com outras herdades dispersas por diversos locais, por seu filho D. Gonçalo Mendo, que nessa mesma data o doou ao mosteiro de Pedroso. Nele terá pernoitado D. Teresa, mãe de D. Afonso Henriques, de passagem para as termas de S. Pedro do Sul.

Pouco se sabe do mosteiro de Cedrim, que seguia a regra beneditina e cuja existência foi de facto uma realidade, não se conhecendo também a sua localização exacta.

Na documentação do mosteiro de Pedroso (Vila Nova de Gaia), de muita importância nessa tempo, foi encontrado um inventário feito em 1017 donde constam os bens que um particular adquiriu. quando residia em Montemor o rei Afonso V passaram à posse de um particular muitas aldeias e herdades, entre as quais «metade do mosteiro de Cedrim». Este indivíduo era, precisamente D. Gonçalo, filho do conde D. Mendo Luci ou Lucides, aquele que um ano ou dois antes (1015 ou 1016) expulsara Froila Gonçalves, que de Montemor governava em nome do caudilho árabe o território de entre Douro e Mondego.

Os documentos existentes e a tradição lendária diz-nos que ali pernoitara D. Teresa a caminho de Lafões, poderão, quando muito, permitir-nos formular uma mera hipótese: não se situando no então pequeno núcleo de Cedrim ou nas imediações, só junto ao solar do cavaleiro-fidalgo D. Gonçalo Mendes que acolheu uma rainha o poderíamos achar e o sítio escolhido outro não seria senão o do Castêlo ou à sua volta.

Bibliografia: Sever do Vouga - Uma Viagem no Tempo, Fernando Soares Ramos, 1998; Diccionário Geográfico; Corog. Port.; Portugal Antigo e Moderno; Albino Costa, Cedrim [...], Cx., 1915; Dicc. Chorog.; Herculano, História de Portugal, III, ppp.348-352.

 
 
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