Usualmente as paredes dos espigueiros crescem em sentido vertical, mas na região litoral ao sul do Douro, as paredes revelam uma inclinação para o exterior. Esta inclinação pode ser apenas das duas paredes laterais, como em Oliveira de Frades e Sever do Vouga com maior incidência a sul do rio Vouga, ou pode ser inclinada nas quatro paredes do edifício, paredes laterais e dos topos, como em Vila Nova de Gaia, Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e Sever do Vouga a norte do rio Vouga.
Este facto obriga muitas vezes a um ligeiro desvio das colunas, de molde a compensar o desequilíbrio provocado por essa inclinação. Um espigão de ferro no lastro, onde se firma a coluna, auxilia a sua fixação e confere-lhe mais segurança.
Quando estamos em presença de prumos de madeira, o seu encaixe faz-se em socalcos abertos nas padieiras, no caso da base ser de pedra, ou então espigam nas traves, se a base for de madeira.
2) lintéis, padieiras de porta e frechais - as vigas que rematam o esqueleto tomam o nome de lintéis laterais e padieiras de porta ou de frechais, consoante estamos em presença de uma construção de pedra ou de madeira.
Nas construções todas de pedra, as padieiras de porta formam, habitualmente, uma peça única, que pode aparecer lisa ou recortada em arco, sobre a porta, exibindo singelos motivos decorativos. Pode ainda ter sobrejacente uma peça triangular à qual se dá o nome de pincho, e que acompanha a elevação do telhado. Atrás da padieira, várias concavidades recebem as traves do telhado.
Em presença de construções de pedra e madeira ou só de madeira, o coroamento é feito com frechais que se apresentam sob diferentes formas, consoante se associam a colunas de pedra ou a prumos de madeira. Nos frechais encaixa o ripado e, por cima, as cambotas, que normalmente têm um dente de cada lado onde engrena o frechal, prendendo-o.